Como previsto pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), cresceu o número de exportações de frutas no terceiro trimestre de 2020. O crescimento em volume foi de 6%, comparado ao mesmo período de 2019. Em receita, o valor permaneceu quase o mesmo que no ano anterior, cerca de US$ 512 milhões.

Dentre as principais frutas exportadas ficou em destaque o abacaxi, 173%, laranja, 148%, limão, 15%, banana, 17%, maçã, 12%, uva, 6% e manga, 2%. Em  2019,  as  exportações  de  laranja  foram  prejudicadas devido a problemas fitossanitários identificados nas frutas exportadas para a União Europeia, porém, em 2020 as exportações voltaram ao normal, animando os produtores, especialmente  de  banana,  que  exportaram  um  pouco mais de 69 mil toneladas.

Um exemplo é a banana produzida no Brasil exportada via terrestre, que está chegando na Argentina mais barata do que outros produtores, como a Colômbia, ponto favorável por aqui. Vale lembrar que o Brasil já começou a exportar melão para a China e a estimativa é que as exportações dessa fruta dobrem. Motivo suficiente para começarmos o ano já comemorando. Motivos não faltarão! Confirme e comprove em nossa matéria de capa. E não deixe de se manter informado nas próximas páginas. A Revista Campo & Negócios trabalha continuamente para que a sua produtividade seja motivo de conquistas diárias. Deixo com você um abraço carinhoso, na esperança de que este seja um ano ainda mais promissor para a agricultura brasileira.

A eficiência  produtiva  do  olericultor brasileiro, de modo geral, vem aumentando ano a ano. Tal fato se deve a um somatório de fatores: avanços  na  nutrição  mineral  e  adubação,  ganhos  genéticos  advindos  da  introdução de novos híbridos e cultivares mais adaptadas, uso de sementes peletizadas, etc. Produtividade aliada à genética. A  cenoura  híbrida  provém  de  um  cruzamento entre duas linhagens puras, as quais contêm qualidades genéticas distintas, tornando-se assim um híbrido de qualidade superior, pois adquiriu o melhor em termos de genética das duas linhagens-mãe.

A produtividade da cenoura no Brasil  gira  em  torno  de  30  toneladas  por  hectare, isso segundo dados oficiais, porém,  regiões  com  alto  nível  tecnológico podem alcançar produtividades bem maiores,  inclusive  no  verão,  que  é  um  período desfavorável para o cultivo dessa espécie. As  cultivares  híbridas  são  a  principal  tecnologia  utilizada  para  se  obter uma produtividade muito acima da média (cerca de 20 a 30% a mais, sendo  que  alguns  estudos  chegam  a  com-provar até 40%). Os  híbridos  são  materiais  diferenciados,    entretanto,    só    dão um resultado espera-do  diante  de  melhorias  nas  condições de cultivo.

Essas  sementes,  associadas  com  a  tecnologia de mecanização, como as se-meadoras  a  vácuo  de  alta  precisão,  fazem com que o produtor tenha uma redução de custos e melhor uniformidade na  distribuição  das  sementes,  e  consequentemente, uma melhor uniformidade no tamanho das raízes e classificação. Esses híbridos são responsáveis pelo aumento significativo na produtividade, qualidade e adaptação em diversas regi-ões e épocas de cultivo.

Como implantar a técnica

É muito importante um manejo adequado para se obter os resultados esperados. A calagem bem feita e no momento certo  contribui  para  a  alta  produtividade da cenoura. O preparo do solo também é uma junção  dos  cuidados  que  contribuem  para  o  desenvolvimento  da  cultura,  e  deve ser feito na profundidade ideal, no momento adequado e visando reduzir eventuais adversidades.

Um dos fatores importantes também é    a    semeadura bem-feita utilizando máquinas de precisão, que permitem uma melhor distribuição  das  sementes,  fornecendo  condições  favoráveis  e  competitivas  para  que  essas  sementes  germinem  e  se  estabeleçam.

Deve-se ter uma irrigação adequada visando o desenvolvimento satisfatório das plantas. Sobre as pragas e doenças foliares, é preciso pensar de maneira preventiva, evitando assim alguma doença ou praga que comprometa a produtividade da espécie. E, para finalizar, a adubação de cobertura  utilizando  os  adubos  solúveis  com água do pivô de irrigação é essencial para fornecer os nutrientes necessários.

Resultados produtivos

A  média  nacional  da  produtividade da cenoura no Brasil é de 30 tone-ladas por ano. Já para os produtores que trabalham com as variedades híbridas e nas  áreas  tecnificadas,  podem  alcançar  até 80 toneladas por ano. Podemos ver que a produtividade é bem mais elevada, isso devido ao híbrido ter adquirido o melhor da linhagem do cruzamento.

Sem errar

Fatores  que  influenciam  o  erro  na  produção  de  lavouras  de  cenouras  são  a escolha do cultivar de acordo com a região,  o  manejo  inadequado,  calagem  feita na época errada, profundidades de plantio,  semeadura  sem  precisão,  falta  e/ou  excesso  de  adubação,  que  contribuem  para  a  baixa  produtividade  da  hortaliça. Além  desses,  outros  fatores  importantes são a irrigação e compactação do solo. Por se tratarem de tubérculos, solos compactados não favorecem o desenvolvimentos deles, pois não conseguem quebrar os torrões para se desenvolver.

Quanto à irrigação, as cenouras possuem  algumas  peculiaridades.  Até  40  dias do plantio a irrigação é diária, até os 60 deve obedecer intervalos de dois dias, e até o fim do ciclo os intervalos devem ser de cinco dias. Existem vários híbridos de cenoura  no  mercado,  logo,  o  produtor  deve  escolher o mais adequado para sua região de plantio, pois temperatura, foto período, chuvas e problemas fitossanitários influenciam significativamente a produção. Antes  do  plantio  é  necessário  fazer uma análise do solo, para assim, de acordo com resultados obtidos, verificar a necessidade de calagem para a retirada da acidez do solo, pois o pH ideal para os cultivos de cenoura é de 6,5, seguido por uma adubação, se necessário.

Investimento Os híbridos de cenoura mais utilizados no verão custam, em média, R$ 471,00 o pacote com 100.000 sementes (cotação: dezembro de 2020). Seguindo a estimativa de plantio, utilizam-se, em média,  800.000  sementes/hectare,  ou  seja, o gasto de sementes para um hectare é de R$ 3.768,00. O  custo  da  semente  de  cenoura  convencional é de, em média, R$ 36,67 o pacote com 100 g, logo, utiliza-se, em média, 4,0 kg, ou R$ 1.466,80. A produção de cenoura do Brasil, em média, gira em torno de 30 toneladas por hectare,  utilizando  sementes  convencionais. Para  lavouras  de  cenouras  que  utilizaram sementes híbridas, o retorno foi de 80 toneladas por hectare.

Mulching reduz doenças em beterrabas

O mulching  é  uma  técnica  que  recobre  a  superfície  do  solo  de  modo  a  proteger  o  cultivo  da  incidência de plantas daninhas e infestação de insetos, controlar umidade e temperatura e evitar o contato direto dos frutos com o solo. O plástico filme é o principal  material  utilizado  para  esse  fim,  mas  há  também  o  mulching  orgânico, feito de resíduos aproveitáveis, como as palhadas.

Ao contrário do plástico, o mulching orgânico irá perder seu efeito após um ou dois  anos  de  uso,  mas  apresenta  alguns benefícios  em  relação  a  esse  primeiro:  aumenta o teor de matéria orgânica do solo,  melhorando  significativamente  a  estrutura do solo.

Opções

Em relação ao mulching plástico, ao menos  dois  tipos  podem  ser  encontra-dos: os dupla face (preto e branco ou pre-to e prata) e o preto. O dupla face é usa-do com o lado preto voltado para baixo, desse  modo,  com  a  parte  mais  clara  em  cima, a temperatura do solo é amenizada, evitando a queima das folhas e frutos e,  ao  refletir  a  luz,  direcionando-a  para  as folhas, auxilia na fotossíntese, repele insetos e evita o desenvolvimento de fungos foliares. O mulching preto, por sua vez, retém a temperatura do solo e, por isso, é recomendado para regiões mais frias.

Resultados na cultura da beterraba
Na cultura da beterraba, a convivência  com  as  plantas  daninhas  pode  limitar  consideravelmente  a  produtividade.  Um  dos  fatores  que  desfavorece  as plantas de beterraba nessa briga por luz, água e nutrientes é o seu porte baixo. Em pouco tempo, as plantas daninhas tomam conta da lavoura e podem causar  reduções  na  produtividade  em  mais  de  70%.  Em  alguns  casos,  pode  chegar até mesmo a 100%. As plantas daninhas também abrigam insetos e patógenos, e sua eliminação é essencial para o bom desenvolvi-mento da cultura.

A capina, no entanto, se não realizada com cuidado, devido ao espaçamento estreito das plantas, pode danificar as raízes da beterraba. Outra  alternativa  são  os  herbicidas,  mas  no  caso  de  cultivos  orgânicos  ou  agroecológicos,  não  são  permitidos.  É  nesse  contexto  que  o  mulching  ganha  importância na cultura da beterraba. A  cobertura  do  solo,  ao  propiciar  menor incidência de luz, afeta negativamente a germinação de sementes de plantas daninhas. É uma excelente alternativa não só no controle, como também para economia de tempo e mão de obra, caso fosse realizada a capina.

Sem concorrência

A palha de café e o bagaço de cana–de-açúcar, quando usados como cobertura,  reduzem  a  ocorrência  de  plantas  daninhas, que são fisicamente impedi-das  de  emergir.

No  entanto,  o  uso  da  palha  pode  ser  ineficaz  em  alguns  casos, principalmente se conter sementes de  plantas  daninhas,  gerando  uma  infestação secundária. A  espessura  da  cobertura  também  influencia no controle.

Menores infestações  de  plantas daninhas  são  observadas  em  coberturas  vegetais  com  4,0  a 10 cm de espessura. Alguns trabalhos demonstraram que a cobertura morta com centeio reduziu em até 100% a incidência  de  plantas  daninhas  em  cultivos de beterraba.

Em outros estudos, a cobertura com palha  de  cevada  e  compostos  de  cogumelos também foram eficientes no controle, e ainda se observou um incremento na produção, com ganhos de sete a 10 vezes mais em comparação com o ren-dimento  das  parcelas  em  que  não  foram usadas coberturas para controle das plantas daninhas.

Ao manter a umidade do solo, o mulching também contribui para a maior eficiência no uso da água.O  que  vai  determinar  a  escolha  do  mulching orgânico é a disponibilidade do material na região, mas são muitas as opções que podem ser empregadas para esse fim, além, claro, do mulching plástico.

Mulching reduz doenças em beterrabas

O mulching  é  uma  técnica  que  recobre  a  superfície  do  solo  de  modo  a  proteger  o  cultivo  da  incidência de plantas daninhas e infestação de insetos, controlar umidade e temperatura e evitar o contato direto dos frutos com o solo. O plástico filme é o principal  material  utilizado  para  esse  fim,  mas  há  também  o  mulching  orgânico, feito de resíduos aproveitáveis, como as palhadas.

Ao contrário do plástico, o mulching orgânico irá perder seu efeito após um ou dois  anos  de  uso,  mas  apresenta  alguns benefícios  em  relação  a  esse  primeiro:  aumenta o teor de matéria orgânica do solo,  melhorando  significativamente  a  estrutura do solo.

Opções

Em relação ao mulching plástico, ao menos  dois  tipos  podem  ser  encontra-dos: os dupla face (preto e branco ou pre-to e prata) e o preto. O dupla face é usa-do com o lado preto voltado para baixo, desse  modo,  com  a  parte  mais  clara  em  cima, a temperatura do solo é amenizada, evitando a queima das folhas e frutos e,  ao  refletir  a  luz,  direcionando-a  para  as folhas, auxilia na fotossíntese, repele insetos e evita o desenvolvimento de fungos foliares. O mulching preto, por sua vez, retém a temperatura do solo e, por isso, é recomendado para regiões mais frias.

Resultados na cultura da beterraba
Na cultura da beterraba, a convivência  com  as  plantas  daninhas  pode  limitar  consideravelmente  a  produtividade.  Um  dos  fatores  que  desfavorece  as plantas de beterraba nessa briga por luz, água e nutrientes é o seu porte baixo. Em pouco tempo, as plantas daninhas tomam conta da lavoura e podem causar  reduções  na  produtividade  em  mais  de  70%.  Em  alguns  casos,  pode  chegar até mesmo a 100%. As plantas daninhas também abrigam insetos e patógenos, e sua eliminação é essencial para o bom desenvolvi-mento da cultura.

A capina, no entanto, se não realizada com cuidado, devido ao espaçamento estreito das plantas, pode danificar as raízes da beterraba. Outra  alternativa  são  os  herbicidas,  mas  no  caso  de  cultivos  orgânicos  ou  agroecológicos,  não  são  permitidos.  É  nesse  contexto  que  o  mulching  ganha  importância na cultura da beterraba. A  cobertura  do  solo,  ao  propiciar  menor incidência de luz, afeta negativamente a germinação de sementes de plantas daninhas. É uma excelente alternativa não só no controle, como também para economia de tempo e mão de obra, caso fosse realizada a capina.

Sem concorrência

A palha de café e o bagaço de cana–de-açúcar, quando usados como cobertura,  reduzem  a  ocorrência  de  plantas  daninhas, que são fisicamente impedi-das  de  emergir.

No  entanto,  o  uso  da  palha  pode  ser  ineficaz  em  alguns  casos, principalmente se conter sementes de  plantas  daninhas,  gerando  uma  infestação secundária. A  espessura  da  cobertura  também  influencia no controle.

Menores infestações  de  plantas daninhas  são  observadas  em  coberturas  vegetais  com  4,0  a 10 cm de espessura. Alguns trabalhos demonstraram que a cobertura morta com centeio reduziu em até 100% a incidência  de  plantas  daninhas  em  cultivos de beterraba.

Em outros estudos, a cobertura com palha  de  cevada  e  compostos  de  cogumelos também foram eficientes no controle, e ainda se observou um incremento na produção, com ganhos de sete a 10 vezes mais em comparação com o rendimento  das  parcelas  em  que  não  foram usadas coberturas para controle das plantas daninhas.

Ao manter a umidade do solo, o mulching também contribui para a maior eficiência no uso da água. O  que  vai  determinar  a  escolha  do  mulching orgânico é a disponibilidade do material na região, mas são muitas as opções que podem ser empregadas para esse fim, além, claro, do mulching plástico.

ADUBAÇÃO INTELIGENTE NA COUVE-FLOR

Pertencente  à  família  das  Brassicáceas, a couve-flor (Brassica ole-racea var. botrytis), é uma horta-liça  que  vem  sendo  cultivada  no  Brasil  durante o ano inteiro, graças aos programas de melhoramento genético, que desenvolveram  cultivares  e  híbridos  adaptados às altas temperaturas. Sua parte comestível é composta por uma inflorescência imatura que pode ter coloração branca, creme, amarela e, mais recentemente, roxa e verde, apresentando alto valor nutritivo, contendo as vitaminas A, B1, B2, B5 e C.No  Brasil,  as  regiões  sudeste  e  sul  são consideradas as principais produtoras da cultura. O tamanho e a qualidade das inflorescências são considerados os  aspectos  mais  importantes  a  nível  de  comercialização,  sendo  influenciados  pelo manejo da adubação e pelas condições climáticas, dentre outros fatores.

Adubação fundamental
Dos  nutrientes  essenciais  fornecidos  por  meio  da  adubação  química,  destaca-se o nitrogênio (N), que deve ser fornecido  em  níveis  compatíveis  às  exigências  de cada cultura e ao método de adubação utilizado. De modo geral, para solos que apre-sentam uma fertilidade baixa ou média, sugere-se  uma  aplicação  de  150  a  200  kg ha-1 de N, no sulco de transplantio das mudas, e adubação de cobertura aos 15, 30, 45 e 60 dias após o transplante.

O N é o nutriente que mais influencia  no  desenvolvimento  e  crescimento  das  plantas,  apresentando  função  estrutural, participando dos processos de absorção iônica, fotossíntese, respiração, multiplicação e diferenciação celular. Na couve-flor, a deficiência desse nu-triente  influencia  de  forma  significativa  as  variáveis  vegetativas  da  planta,  diminuindo o número de folhas, altura das plantas,  o  diâmetro  da  haste,  área  foliar e a matéria seca, além de causar o amarelecimento  inicialmente  das  folhas mais velhas das plantas, entre outros sintomas.

Já  o  excesso  de  N  resulta  no  atraso do florescimento, aspecto importante a ser considerado para a cultura, que tem como parte comercial a “inflorescência”.

Desafios

Uma das maiores dificuldades na recomendação do N para as plantas está relacionada à sua dinâmica no solo, por se tratar de um elemento muito complexo, em função das várias transformações que o mesmo vem sofrendo, como por  exemplo,  lixiviação,  volatilização,  nitrificação,  desnitrificação,  imobilização  e  mineralização,  alterando  assim  a  sua disponibilidade durante o desenvolvimento da couve-flor.

No Brasil, a ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado, contendo uma concentração de 45% de N, proporcionando um menor custo por unidade do nutriente. Porém, sua aplicação no solo causa uma elevação do pH na região do grânulo do fertilizante no momento da hidrólise, acarretando elevadas perdas desse nutriente por volatilização na forma de amônia, diminuindo a eficiência dos fertilizantes nitrogenados e podendo atingir valores de até 35% do total do N que é aplicado.

Alternativas

Dentre as alternativas para minimizar as perdas desse nutriente está o parcelamento da aplicação, resultando em um maior aproveitamento pelas plantas. Entretanto, o parcelamento nem sempre é a alternativa mais rentável para o produtor, podendo gerar aumento significativo nos gastos com mão de obra.

O  fornecimento  parcelado  de  N  após o transplantio das mudas de couve-flor  promove  um  crescimento  mais  vigoroso, influenciando de forma positiva no aumento da produtividade, devido ao maior aproveitamento desse nu-triente pelas plantas.

Pesquisas

Estudos realizados por Takeishi; Cecílio  Filho  (2007),  verificaram  que  o  N  foi o nutriente mais acumulado pela couve-flor, com a seguinte ordem decrescente: N>K>Ca>S>P>Mg. Pôrto  (2009)  verificou  um  maior  acúmulo de N pelas plantas, seguido do K e do P. Estudos demonstram que o N foi  o  nutriente  mais acumulado  pela  couve-flor,  reforçando  sua  importância  para essa cultura.

Sendo  assim,  várias  pesquisas  vêm  sendo  realizadas  estudando  as  melhores estratégias para melhorar a eficiência no uso dos fertilizantes nitrogenados. Dentre  elas,  estão:  o  uso  de  inibidores de uréase (NBPT) e de nitrificação, adição de compostos acidificantes e o uso de ureia revestida com polímeros ou gel, gerando os fertilizantes conhecidos  como  de  liberação  lenta  ou  controlada.

Fertilização inteligente

Os  fertilizantes  de  liberação  lenta  ou  controlada  envolvem  a  nutrição  a  uma taxa mais lenta que a dos fertilizantes  usuais. Portanto,  o  período  de  liberação  não  é  bem  controlado.  Até  pouco  tempo  não  havia  diferença  oficial  entre  os termos fertilizantes de liberação lenta e controlada.

Segundo Shaviv (2005), o termo de liberação  controlada  tornou-se  aceitável quando os processos de produção se tornaram  conhecidos  e  foram  capazes  de  influenciar  a  determinação  da  taxa  padrão  e  os  períodos  previsíveis  para  a  liberação  dos  nutrientes  nos  fertilizantes.

Vantagens e desvantagens

O uso desses fertilizantes pode proporcionar vários benefícios para as plantas de couve-flor, como aumento da produtividade,  economia  de  trabalho  em função  da  diminuição  ou  até  mesmo  abolição do número de parcelamentos e redução nos impactos ambientais devido às menores perdas de N por lixiviação.

Esses adubos têm como propósito o  fornecimento  contínuo  de  nutrientes, sem excesso ou falta, favorecendo um compartilhamento homogêneo e simultâneo de seus nutrientes.

Entretanto, vale ressaltar que a liberação do N depende do período de liberação garantido pelo fabricante e das condições de umidade e temperatura do solo. Outra vantagem dos fertilizantes nitrogenados de liberação controlada para a  cultura  da  couve-flor  está  na  redução  dos  danos  causados  às  raízes  devido  à  alta concentração de sais, facilitando assim o manuseio e a redução dos custos de produção.

Como desvantagem, esses fertilizantes apresentam um alto custo, necessitando de dosagens adequadas e, às vezes, de altas temperaturas, caso se deseje uma liberação mais rápida. A couve-flor (Brassica oleracea var. botrytis) é uma hortaliça do tipo inflorescência, pertencente à família Brassicaceae, mesma à qual pertencem  o  repolho,  o  brócolis  e  a  couve  comum, sendo considerada uma espécie de clima temperado (Santos et al., 2011).

Espécie cosmopolita e com relevante importância socioeconômica, seu consumo é também considerado importante para a saúde e alimentação humana (Melo et al., 2016). Em se tratando de uma hortaliça delicada e tenra, constitui-se  uma  iguaria  muito  saborosa  quando  bem  preparada,  sendo,  além  disso,  livre  de  gorduras  e  colesterol  e  apresentando  baixos teores de sódio e calorias (Lana e Tavares, 2010).

De forma geral, as brássicas (como são denominadas as espécies pertencentes à família Brassicaceae) possuem a capacidade de extração nutricional elevada, além  apresentar  alta  taxa  de  conversão  em períodos relativamente curtos. Assim,  é  fundamental  o  conhecimento  acerca  da  exigência  nutricional  da espécie, a fim de se fornecer quantidades adequadas e equilibradas de nutrientes (Melo et al., 2010).

Dessa forma,  é  essencial  o  manejo  nutricional  correto visando à produção desejada da cultura. Nutrientes essenciais No cultivo da couve-flor são requeridas  grandes  quantidades  de  potássio  e  nitrogênio,  sendo  estes  exigidos  em  maior quantidade, quando comparados aos demais nutrientes.

Além  disso,  é  uma  cultura  exigente em cálcio e enxofre (Filgueira, 2008).  No  caso  do  nitrogênio,  este  contribui para um rápido e vigoroso desenvolvimento, característica que está diretamente relacionada ao bom crescimento da inflorescência. Já o fósforo e o magnésio são nutrientes  essenciais,  pois  favorecem  a  formação da inflorescência (May et al., 2007).É  importante  considerar  também  que muitos nutrientes já se encontram presentes  na  formulação  de  diversos  fertilizantes,  a  exemplo  do  nitrogênio,  cálcio e enxofre.

Dessa forma, as informações quanto  ao  teor  presente  nos  fertilizantes  destes  nutrientes  devem  ser  consideradas  nas  definições  de  quantidade  da  adubação, caso não haja consideração deste  fator,  como  em  deficiência  ou  excesso nutricional que poderão ocorrer, prejudicando o desenvolvimento e a produtividade  das  plantas  (Bolfarini  et  al., 2017).

Manejo correto da nutrição

A  couve-flor  apresenta  raízes  que  atingem  em  torno  de  20  a  30  cm  de  profundidade no solo, tendo preferência por  solos  mais  pesados,  além  de  pouco  tolerantes à acidez (Santos et al., 2011). Neste caso, o pH ideal está em torno de 6,0 a 6,8 (Filgueira, 2008).Segundo  Bolfarini  et  al.  (2017),  a  maior  demanda  nutricional  pela  couve-flor  ocorre  na  fase  intermediária  da  cultura, que compreende dos 43 aos 56 dias após o transplante. Assim, essa fase deve receber maior atenção dos produtores em relação à adubação.

A produtividade de uma cultura agrícola é inerente à tecnologia empregada em seu manejo. Assim, o emprego adequado da tecnologia  disponível  visando  aumentar  o  rendimento da cultura deve ser feito de acordo com a disponibilidade de recursos do produtor. Segundo Filgueira (2008), o nitrogênio e o fósforo têm apresentado maiores respostas  em  produtividade  pela  couve-flor  em  condições  experimentais.  May  et al. (2007) apontam a sequência de absorção  de  macronutrientes  pela  cultura  em ordem decrescente: Com relação aos micronutrientes, os mesmos autores apontam que a exigência  da  couve-flor  é  maior  em  molibdênio, boro, cobre, ferro, manganês e zinco.

Benefícios

A calagem traz benefícios à maioria dos solos brasileiros, elevando-se a saturação  por  bases  para  70-80%,  aumentando também a disponibilidade de molibdênio (Mo) no solo. Contudo, ocasiona a diminuição da disponibilidade de boro (B), sendo ambos muito importantes para o bom desenvolvimento da cultura (Filgueira, 2008). Já  menores  valores  de  pH  acarretam aumentos nas carências de micronutrientes, como o molibdênio, o qual vale ressaltar que, em casos de deficiência  pode  ocasionar  a  redução  do  limbo das folhas, provocando o surgimento de distúrbio ou anomalia fisiológica conhecida  como  “folha  chicote”,  distúrbio  este  que  é  passível  de  correção  durante  o  desenvolvimento  da  planta  até a colheita. Por  outro  lado,  maiores  valores  de  pH  podem  acentuar  a  deficiência  de  boro  relacionada  a  um  outro  distúrbio  fisiológico  da  cultura,  caracterizado  pelo  surgimento  de  um  orifício  no  caule,  sendo  conhecido  como  “talo-o-co” ou “caule-oco” (Melo et al., 2016).

Assim,  o  manejo  correto  da  calagem,  em  quantidade  e  forma  de  aplicação, é essencial a fim de se evitar que ocorram  deficiências  desses  nutrientes  no solo e contribuindo assim para o desenvolvimento  adequado  da  couve-flor.  Segundo Melo et al. (2016), as práticas da  calagem  e  adubação  são  de  grande  importância em cultivos que visam aumentar  a  produtividade,  pois  auxiliam  no  aumento  do  diâmetro  e  na  massa  das inflorescências em couve-flor.

Além disso, May et al. (2007) ressaltam que a calagem constitui a forma menos onerosa de proporcionar o fornecimento  de  cálcio  e  magnésio  para  a cultura.No que concerne ao manejo inadequado  do  solo,  é  importante  lembrar  que tanto no sistema orgânico como no convencional,  o  manejo  incorreto  pode  vir a trazer sérios problemas, sendo os mais  frequentes  relacionados  à  fertilidade do solo. Caso  esta  não  seja  efetuada  por  meio de análises periódicas, aumenta-se o risco de determinados erros na fertilização do solo, podendo ser para menos ou para mais (Alcântara e Madeira, 2007).

Segundo Alcântara e Madeira (2007), ao  ocorrer  o  erro  para  menos,  o  resultado  acaba  sendo  a  deficiência  ou  falta  de  um ou mais nutrientes para a planta, podendo um único nutriente comprometer todo o desenvolvimento da cultura, assim como sua produção. Ainda segundo os mesmos autores, quando o erro incorrido é para mais, resulta  em  toxidez,  aumentando  os  gastos  com  fertilizantes,  sendo  que  o  uso  destes  em  doses  maiores  que  as  requeridas pela cultura pode levar ao excesso de um ou mais nutrientes.  No caso de deficiência, esta possui uma solução mais simples, pois é possível  aplicar  o  nutriente  por  meio  de  algum fertilizante, dependendo de qual seja o nutriente e o estágio da cultura. Já no caso do excesso, este é um pouco mais complicado de corrigir, não sendo passível de solução em curto prazo.

Como o ciclo das plantas é geral-mente curto, o olericultor pode plantar   diversas   culturas   em   uma  mesma  área,  com  a  vantagem  de  produzir o ano todo, tendo uma fonte de renda estável, independentemente da estação climática.  Para atender melhor o consumidor, a Secretaria, por meio da Agência Pau-lista  de  Tecnologia  dos  Agronegócios  (APTA),  realiza  constantes  pesquisas  para melhorar a qualidade da produção. Uma delas é a alface com quantidade de zinco até 16 vezes maior nas folhas, resultado de uma pesquisa desenvolvida  no  Instituto  Agronômico  (IAC). A biofortificação desse alimento foi obtida a partir de aplicações de doses crescentes de sulfato de zinco no solo, até o limite que não impacte a qualidade, a produtividade da planta e o ambiente.

Ao ingerir 50 gramas, ou seis a sete folhas dessa alface biofortificada, a pessoa estará suprindo cerca de 25% da re-comendação diária desse importante re-forço do sistema imunológico humano.

Telas de sombreamento

Outra pesquisa da APTA analisa o uso de telas de sombreamento para a produção de hortaliças folhosas no verão, época chuvosa onde há grande perda de solo,  o  que  resulta  em  redução  de  produtividade e degradação do solo. No manejo do ambiente foram estudadas  diferentes  telas  de  sombreamento associadas ao não revolvimento do  solo.

No  manejo  do  solo  foi  avalia-do o “Plantio direto de diferentes variedades  de  alface  e  rúcula  em  Brachiaria ruziziensis cultivada nos canteiros antes do plantio das hortaliças”. Os resulta-dos do trabalho mostraram elevada redução de plantas daninhas com a palha da Brachiaria ruziziensis no cultivo dessas hortaliças. Houve, ainda, benefícios do plantio direto  na  qualidade  física  e  redução  da  temperatura do solo, o que, para o cultivo no verão, é muito importante”, afirma Andréia Hirata. Ao longo dos cultivos houve aumento  da  produtividade  no  plantio  direto  sobre B. ruziziensis em relação ao plantio convencional, além de conservação dos canteiros, os quais ficaram protegi-dos das chuvas abundantes do período. O cultivo de braquiária na palha protegeu as folhas do respingo de chuva no solo. “Isso pode até reduzir uma operação pós-colheita, que é a de lavagem da alface para tirar a terra aderida às folhas, que  ocorre  no  plantio  convencional”,  finaliza a pesquisadora.

Atualmente, a agricultura vem exigindo  adoções  de  práticas  racionais ao meio ambiente, visando atender  à  crescente  demanda  por  alimentos, tanto em quantidade como em qualidade.  Neste  cenário,  o  uso  de  ácidos húmicos, que são resultantes da decomposição da matéria orgânica, tem se tornado uma alternativa viável para as plantas. Suas propriedades físicas, químicas e  microbiológicas  são  capazes  de  proporcionar incrementos na produtividade em função dos benefícios promovi-dos não só na estrutura física e química dos solos, como também no metabolismo das plantas.

Devido à natureza complexa ainda pouco  conhecida  dos  ácidos  húmicos,  seus efeitos não são fáceis de serem explicados, uma vez que existem substâncias húmicas muito diferentes, seja em função da origem do material, métodos de extrações e/ou pelas diferentes concentrações de ácidos húmicos contidos. De acordo com pesquisa do professor da Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba),  Dr.  Saulo  Strazeio  Cardoso,  em parceria com a bióloga Marcela Ca-etano Lopes, doutoranda em Agronomia/Horticultura,  cada  espécie  vegetal  pode reagir de forma diferente à aplicação dos ácidos húmicos, bem como apre-sentar  respostas  diferenciadas  à  medida  em que for se desenvolvendo.

Nesse contexto, novos estudos de-vem ser realizados visando explicar questionamentos sobre recomendação (dose e épocas de aplicação) em função dos diferentes tipos de solos, condições ambientais,  tipos  de  plantas  e  fontes  de  ácidos húmicos. Mais enraizamento para a cebola.

Os  ácidos  húmicos  presentes  nos  solos agem de forma semelhante à auxina, ou seja, proporcionando a expansão e elongação das células e, consequentemente, o crescimento das raízes. Esse  fenômeno  ocorre  devido  ao  estímulo na atividade da H+ -ATPase (bombas de H+) de membrana plasmática, em função das substâncias húmicas  que  apresentam  baixo  peso  molecular  favorecerem  a  emissão  de  pelos  radiculares e raízes laterais finas, tendo assim um aumento das raízes das plantas.

As H+ -ATPases são enzimas transmembranares eficientes para hidrolisar ATP, possibilitando energia e gradiente eletroquímico, os quais apresentam interação direta com os mecanismos responsáveis por proporcionar o desenvolvimento e crescimento dos vegetais, isto é, concedem maior plasticidade na parede celular, favorecendo o crescimento e divisão celular. Sendo assim, pode-se dizer que os ácidos húmicos alteram diretamente o metabolismo bioquímico das plantas e, por  consequência,  influenciam  no  seu  crescimento e desenvolvimento. Possibilidades Existe,  no  mercado,  uma  diversidade de produtos contendo ácidos húmicos, cuja fonte mais utilizada para a fabricação é a leonardita. Porém, é possível obter ácido húmico de outras fontes, como carvão, turfas, estercos, resíduos humificados e vermicomposto.

Os ácidos  húmicos,  quando  empregados,  proporcionam benefícios às propriedades físicas e químicas dos solos, favorecem o aumento das raízes e a absorção de nutrientes pelas plantas. Manejo A aplicação de ácidos húmicos pode ocorrer desde o início do ciclo da cultura, podendo ser aplicado via solo ou foliar. Tem-se também a opção de realizar a aplicação no solo e complementar com a aplicação via foliar. Com relação às doses, número e época de aplicação, deve-se levar em consideração a fertilidade do solo em questão, o  material  genético  cultivado,  as  condições  climáticas  da  região  e  as  recomendações do produto comercial estabeleci-do pelo fabricante. Benefícios à cebola Uma  diversidade  de  culturas  pode  ser beneficiada com a aplicação de ácidos húmicos.

Resultados já foram relatados com as culturas da alface, cebola, tomate, beterraba, melancia, citros, mi-lho, abacaxi, banana, dentre outras. Os resultados obtidos para a cultura da cebola com o uso de ácido húmico são bastantes variáveis e dependem das substâncias húmicas utilizadas, concentração, grau de purificação do material e das condições em que foram realizados os experimentos. Informações na literatura  indicam  que  o  emprego  de  ácidos  húmicos e fúlvicos na cultura tem proporcionado aumentos em sua produção.

Estudos avaliando diferentes produtos  comerciais  ricos  em  ácidos  húmicos  obtiveram um aumento de 17% na produtividade  comercial  da  cebola,  com-parado  à  testemunha  (sem  aplicação  de fontes de ácidos húmicos). Outros estudos reportam que a aplicação de 2,0 kg ha-1 em sulco de plantio aumentou a disponibilidade de nutrientes para as plantas e, consequentemente, sua produção. Foi  observado  também  que  a  aplicação  via  foliar  aos  60  e  80  dias  após  o transplantio das mudas, com o uso de um  produto  comercial  contendo  18,5%  de ácido húmico, proporcionou aumentos no crescimento vegetativo, na produção de bulbos e qualidade da colheita.

As substâncias húmicas são com-postos derivados da decomposi-ção  de  produtos  de  origem  ve-getal e animal. Vários materiais são ricos em substâncias húmicas, como a turfa, leonardita, vermicompostos e até mesmo o solo. Fracionados quimicamente, as SH são divididas em huminas, ácidos húmi-cos e fúlvicos, cada um com sua especificidade e utilização, contudo, os ácidos húmicos e fúlvicos são destinados praticamente a todos os usos agrícolas.

Pesquisas

Grande  parte  dos  mecanismos  de  ação das SH já foram caracterizados. Sabe-se que o aumento dos teores de auxinas, giberelinas e citocininas foram demonstrados por Silva e Colaboradores (2011) e Caron e colaborares (2015). Ou seja, pode-se definir que o uso das substâncias húmicas tem influência direta no desenvolvimento radicular.

Além do maior volume radicular, o surgimento de novas raízes laterais e pelos radiculares também é presente – isto se dá pela associação e biossíntese de auxinas e óxido nítrico. Além  disso,  efeitos  diretos  dos  hormônios  na  germinação  fazem  com  que  esta apresente maior germinação e emergência de plântulas, com vigor acentuado e de alta qualidade.

Em estudos realizados com aplicação  em  mudas  de  tomateiro  de  substâncias  húmicas  provindas  de  turfa,  observou-se estímulo ao aparecimento de pelos radiculares em baixa concentração  (2  mmolc  L-1),  principalmente  próximos à coifa.

Ao se utilizar mutantes de tomateiro com gene repórter, permitiu-se observar  a  indução  de  rotas  ligadas  à  produção  de  auxinas,  quando  tratado  com ácidos húmicos (Silva et al, 2011). Assim, os ácidos húmicos, que são frações  humificadas  com  maior  bio-atividade,  apresentam  maior  capacidade  de  indução  de  raízes  laterais  no  estágio  inicial  do  tomateiro,  resultando,  assim,  em  uma  planta  com  melhor qualidade desde o início do cultivo, para o campo ou até mesmo para a casa de vegetação.

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